terça-feira, 19 de maio de 2009

Eu e meus botões


Há pouco tempo me libertei de uma situação que se arrastava há anos. Como um bicho que acaba de ser solto saio correndo pra bem longe de onde eu não queria estar. Compulsivamente aproveito o que essa liberdade me oferece. Revejo velhos amigos e velhos vícios, mas com um gosto, uma sensação de algo novo.
Ser capaz de olhar pra frente com outros olhos, novos olhos, desejar tudo de novo, respirar desejos, mergulhar a fundo na vontade e apaixonar-se por si mesmo...
Que delicia...que deleite...
Sei que outros problemas continuam e outros novos estão por vir. Mas vale a dor e a pena de se conseguir o que a gente quer e precisa lá no fundo.
Voltei a ser um pedaço do que eu era -nunca entramos duas vezes no mesmo rio, correto?- mas bem mais feliz e consciente.
Nova fase de uma vida! Renascer, não importa de onde, mas reabrir os olhos, os ouvidos, a mente e incondicionalmente, o coração... Ah, coração!!! Quantas vezes temos vontade de arrancá-lo ? Acabar com aquele angustia, com a dor...
O melhor mesmo é quando queremos aumentá-lo cada vez mais... seja pra guardar um grande amor, pra entrar mais amigos e pra caber mais boas lembranças...
A Paixão é deliciosa, apesar de frequentemente dar uns apertoezinhos na gente... em geral somos comedidos, enquanto que sob o estado da paixão somos impulsos e desejos...
A gente não lambisca, simplesmente engole..rsrs

domingo, 1 de março de 2009

Recebi essa mensagem uns dias atrás. Achei válido colocá-la aqui, visto que é um espaço pra se pensar sobre a vida humana. Como somos falhos!


Escutatória
Rubem Alves


Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória.Todo mundo quer aprender a falar... Ninguém quer aprender a ouvir.Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil.Diz Alberto Caeiro que... Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma. Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia. Parafraseio o Alberto Caeiro:Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma. Daí a dificuldade: A gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor... Sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração... E precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade. No fundo, somos os mais bonitos... Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64.Contou-me de sua experiência com os índios: Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. Vejam a semelhança...Os pianistas, por exemplo, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio... Abrindo vazios de silêncio... Expulsando todas as idéias estranhas. Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos... Pensamentos que ele julgava essenciais.São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se eu falar logo a seguir... São duas as possibilidades.Primeira: Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado. Segunda: Ouvi o que você falou. Mas, isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou. Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou. E, assim vai a reunião. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos.E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir. Fernando Pessoa conhecia a experiência... E, se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras... No lugar onde não há palavras. A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia... Que de tão linda nos faz chorar. Para mim, Deus é isto: A beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: A beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

2009 estamos aki!


Ano Novo, vida nova...
Essa frase sempre me soou falsa. Pra mim, pelo menos, o início de um ano nunca deu pra modificar nada, muito menos me trouxe uma vida nova. Realmente é uma ótima época para pensar MAIS do que a gente já pensa, de se sentimentalizar mais e refletir mais. Porra, pensa só... a gente já não faz isso também o ano inteiro ?
Prefiro pensar que a passagem do ano é uma ótima época pra amigos e parentes se encontrarem e pra dizer que, apesar dessa vida louca e apressada que a gente vive, a gente tem que ter um momento pra parar e curtir de verdade.
Mas como estamos acostumados ao senso comum, caímos na mesmice... o que espero e o que vou fazer da minha vida esse ano ?
Tantos projetos, tantos sonhos, tantas incertezas ! Minha cabeça parece um concerto onde o maestro é epilético...(desculpem o humor negro).
Mas vamos lá! Bola pra frente.
O ano de 2008 foi um ano (pelo menos pra mim) de purgar. Puta q pariu! Purgar em todos os sentidos... trabalho, saúde, família, paixões, etc e tal.
Mas, sinceramente, valeu! Como é difícil encarar o espelho e ver o quão podre a gente é! Porém, com um pouqunho de paciência, consegui (não totalmente) ver também o quão bacana eu sou.
Passei por inúmeros teste de paciência e cheguei a conclusão que o que importa é que dependendo de onde vem, com toda delicadeza e classe, APERTE A TECLA F.
Aprendi que a melhor arma é a educação e a classe. Descer do salto? NEVER MORE! Apesar da barraqueira que existe em mim querer aparecer e dar seu grito de vez em quando.
Então vamos lá, bola prá frente, barriga pra dentro, peito estufado e nariz empinado pra não sentir odores desagradáveis.
Pra nós, UM FELIZ 2009!